- Será que eu estou começando a acreditar que é disso que eu fujo? Dessa depressão... Dessa vida que a sociedade me impõe, dessa coisa de a gente viver o que já está escrito. Estudar. Faculdade. Trabalho. Família. Filhos
Pássaro Pesado diz:
- Mais ou menos assim... Mas acho que não tem como fugir. Se a gente não faz isso por obrigação, faz por amor, faz por ódio, por preguiça. Faz por não dar para anular aquilo que é óbvio. Cada um tem seus motivos para ser igual ao resto. Mas ninguém vê.
Alma irmã diz:
- Acredito nisso. E a gente disfarça tanto... Eu sempre estou bem, rindo pra todos, mas por dentro eu tô... nem sei explicar!
Pássaro Pesado diz:
- Tem a parte do livro em que uma aventura acontece, depois vem aquela outra parte em que o narrador diz: "algum tempo depois". E depois a aventura continua... Todo mundo crescido, mudado, maduro, inteiro. O tempo fez alguma coisa com eles. Estamos na parte em que a vida fala: "algum tempo depois". Não estamos nem antes, nem depois. Não somos nada formado, ainda. Estamos vivendo na parte que ninguém quer ler. Nem mesmo a gente, oras!







