quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Em se tratando de flor"

Eu te amo como alguém que observa de longe uma criança desatenta - como se não houvesse nada no mundo que pudesse tirar de mim o direito de te guardar até a morte. Eu te amo como alguém que cuida, uma ave que abriga dentro de si o sabor da vida, o salgar das lágrimas. Eu te amo como se somente eu soubesse o segredo de te fazer bem, e de te manter em segurança nos braços que sempre estarão abertos a te receber. Eu te amo porque tu és minha, porque ao olhar nos teus olhos eu entendo que a dor é pequena demais para quem consegue abrir mão das próprias chagas e entregar o pouco de força que resta a quem nos faz bem. Tu não precisas te esticar, estender os braços, chacoalhar as pernas para chamar minha atenção, porque desde que nasceste ela já é totalmente tua. E se choro, se passo noites insone, se perco o ar ao não saber onde estás, é que no meu peito reside a porção somente tua, que decerto expiraria se sumisses de mim. Viva, minha pequena, que eu estarei aqui para te acolher quando os joelhos vacilarem, quando o vento estiver estraçalhando os teus cotovelos arranhados. Meus joelhos calejarão por manter acesa a prece de te querer eternamente ao meu lado, porque vieste de mim, para mim, por mim, e desejo o teu repousar mais do que o meu conforto. Eu te amo porque eu preciso te amar, porque tu és a fonte do meu amor, porque tu és a razão de eu não ter desistido, porque tu és a menina dos meus olhos, e nada nem ninguém vai tirar de mim o teu olhar marejado e tuas frágeis e pequeninas mãos pálidas, que sempre estiveram em meus sonhos, desde que sorriste para mim.

Neemias Melo

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