Enlaça-me, encobre-me, protege-me, amor. O mundo não pode roubar de mim o brilho. Não ainda. Esconde-me, sequestra-me, cativa-me, amor, para que não haja refúgio algum senão teus braços. Há tanto a se dizer, tanto a se mostrar, mas não há meios de externar a essência, compreende? Não há como te mostrar a entrega que faço a ti. Eu quero, amor, ser o pássaro que canta apenas na tua janela, e cujo canto não é influenciado por outras sinfonias, outras harmonias que não tenham origem no nosso reconhecimento infinito. Eu anseio, amor, ser fogo que incendeia teu rubro sangue inerte, e movê-lo, vertê-lo em paixão, silêncio, entrega; derramá-lo em nossos braços dilacerados pelo vento, espalhá-lo em nossos cabelos, outrora ninho do nosso segredo. Eu preciso, amor, transformar em gemido a fadiga dos meus músculos que se agoniam quando te veem, para que também eu não me agonie e me esqueça de deliberar tua língua, teu pescoço, teu suor. Então carrega-me, abraça-me e guarda-me, amor. Não somos perfeitos, mas ninguém, além de nós, precisa saber disso.
Neemias Melo
"E esse amor? - me perguntaram - É algo irreal sua tola.
ResponderExcluirIgnorei.
Talvez nunca tenham sentido um antígeno Rh correndo no sangue e fazendo-se sentir tão bem."
Lindas Palavras as suas, poeta.