sábado, 25 de agosto de 2012

Sou como os livros antigos. Feio por fora, e feio por dentro. Já me disseram isso algumas vezes. Não sou muita coisa, e me falta uma porção necessária de beleza. Marcas aqui e ali, dobraduras aos montes, remendos na capa. Mas sou do tamanho que deveria ser, pelo menos por dentro. Nem vasto, nem breve, tenho um punhado de história guardada e outro, de páginas ainda brancas a serem escritas. Tenho nome incomum, expressão imponente, e falar aveludado. Não sou amado por todos e nem para sempre, mas tenho certeza de que caibo em qualquer canto. Livros velhos também podem guardar pétalas mortas.

Neemias Melo

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