Eu vi. Um rapaz se olhava no espelho e a imagem refletida o contrariava. "Quem és tu?", perguntou o vidro. "Sou tu. Solto. Sol to. Soutu.", disse o próprio reflexo, desenhando as palavras enquanto as pronunciava, sem esperar a resposta. Riu, riu e riu. Socou o espelho e o rapaz se despedaçou. O que o mundo conhecia não passava de um avesso da cena confusa que criou, sobre dois universos paralelos, um morto e um esquizofrênico, ambos despedaçados e canhotos. Eu vi.
Neemias Melo
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